quinta-feira, 24 de março de 2011

Os salmos de lamentação - Imprecatórios (II) - 24/03/2011

Texto áureo: Salmo 90:12
"Ensina-nos a contar os nossos dias, de tal maneira que alcancemos corações sábios."

Leitura de hoje: Salmos 86, 88, 90, 94 e 102


Inclina os teus ouvidos, ó Senhor, e responde-me, pois sou pobre e necessitado.
Guarda a minha vida, pois sou fiel a ti. Tu és o meu Deus; salva o teu servo que em ti confia!
Misericórdia, Senhor, pois clamo a ti sem cessar.
Alegra o coração do teu servo, pois a ti, Senhor, elevo a minha alma.
Tu és bondoso e perdoador, Senhor, rico em graça para com todos os que te invocam.
Escuta a minha oração, Senhor; atenta para a minha súplica!
No dia da minha angústia clamarei a ti, pois tu me responderás.
Nenhum dos deuses é comparável a ti, Senhor, nenhum deles pode fazer o que tu fazes.
Todas as nações que tu formaste virão e te adorarão, Senhor, glorificarão o teu nome.
Pois tu és grande e realizas feitos maravilhosos; só tu és Deus!
Ensina-me o teu caminho, Senhor, para que eu ande na tua verdade; dá-me um coração inteiramente fiel, para que eu tema o teu nome.
De todo o meu coração te louvarei, Senhor, meu Deus; glorificarei o teu nome para sempre.
Pois grande é o teu amor para comigo; tu me livraste das profundezas do Sheol.
Os arrogantes estão me atacando, ó Deus; um bando de homens cruéis, gente que não faz caso de ti procura tirar-me a vida.
Mas tu, Senhor, és Deus compassivo e misericordioso, muito paciente, rico em amor e em fidelidade.
Volta-te para mim! Tem misericórdia de mim! Concede a tua força a teu servo e salva o filho da tua serva.
Dá-me um sinal da tua bondade, para que os meus inimigos vejam e sejam humilhados, pois tu, Senhor, me ajudaste e me consolaste.

Ó Senhor, Deus que me salva, a ti clamo dia e noite.
Que a minha oração chegue diante de ti; inclina os teus ouvidos ao meu clamor.
Tenho sofrido tanto que a minha vida está à beira da sepultura!
Sou contado entre os que descem à cova; sou como um homem que já não tem forças.
Fui colocado junto aos mortos, sou como os cadáveres que jazem no túmulo, dos quais já não te lembras, pois foram tirados de tua mão.
Puseste-me na cova mais profunda, na escuridão das profundezas.
Tua ira pesa sobre mim; com todas as tuas ondas me afligiste.
Afastaste de mim os meus melhores amigos e me tornaste repugnante para eles. Estou como um preso que não pode fugir;
minhas vistas já estão fracas de tristeza. A ti, Senhor, clamo cada dia; a ti ergo as minhas mãos.
Acaso mostras as tuas maravilhas aos mortos? Acaso os mortos se levantam e te louvam?
Será que o teu amor é anunciado no túmulo, e a tua fidelidade, no Abismo da Morte?
Acaso são conhecidas as tuas maravilhas na região das trevas, e os teus feitos de justiça, na terra do esquecimento?
Mas eu, Senhor, a ti clamo por socorro; já de manhã a minha oração chega à tua presença.
Por que, Senhor, me rejeitas e escondes de mim o teu rosto?
Desde moço tenho sofrido e ando perto da morte; os teus terrores levaram-me ao desespero.
Sobre mim se abateu a tua ira; os pavores que me causas me destruíram.
Cercam-me o dia todo como uma inundação; envolvem-me por completo.
Tiraste de mim os meus amigos e os meus companheiros; as trevas são a minha única companhia.

Senhor, tu és o nosso refúgio, sempre, de geração em geração.
Antes de nascerem os montes e de criares a terra e o mundo, de eternidade a eternidade tu és Deus.
Fazes os homens voltarem ao pó, dizendo: "Retornem ao pó, seres humanos!"
De fato, mil anos para ti são como o dia de ontem que passou, como as horas da noite.
Como uma correnteza, tu arrastas os homens; são breves como o sono; são como a relva que brota ao amanhecer;
germina e brota pela manhã, mas, à tarde, murcha e seca.
Somos consumidos pela tua ira e aterrorizados pelo teu furor.
Conheces as nossas iniqüidades; não escapam os nossos pecados secretos à luz da tua presença.
Todos os nossos dias passam debaixo do teu furor; vão-se como um murmúrio.
Os anos de nossa vida chegam a setenta, ou a oitenta para os que têm mais vigor; entretanto, são anos difíceis e cheios de sofrimento, pois a vida passa depressa, e nós voamos!
Quem conhece o poder da tua ira? Pois o teu furor é tão grande como o temor que te é devido.
Ensina-nos a contar os nossos dias para que o nosso coração alcance sabedoria.
Volta-te, Senhor! Até quando será assim? Tem compaixão dos teus servos!
Satisfaze-nos pela manhã com o teu amor leal, e todos os nossos dias cantaremos felizes.
Dá-nos alegria pelo tempo que nos afligiste, pelos anos em que tanto sofremos.
Sejam manifestos os teus feitos aos teus servos, e aos filhos deles o teu esplendor!
Esteja sobre nós a bondade do nosso Deus Soberano. Consolida, para nós, a obra de nossas mãos; consolida a obra de nossas mãos!

Ó Senhor, Deus vingador; Deus vingador! Intervém!
Levanta-te, Juiz da terra; retribui aos orgulhosos o que merecem.
Até quando os ímpios, Senhor, até quando os ímpios exultarão?
Eles despejam palavras arrogantes, todos esses malfeitores enchem-se de vanglória.
Massacram o teu povo, Senhor, e oprimem a tua herança;
matam as viúvas e os estrangeiros, assassinam os órfãos,
e ainda dizem: "O Senhor não nos vê; o Deus de Jacó nada percebe".
Insensatos, procurem entender! E vocês, tolos, quando se tornarão sábios?
Será que quem fez o ouvido não ouve? Será que quem formou o olho não vê?
Aquele que disciplina as nações os deixará sem castigo? Não tem sabedoria aquele que dá ao homem o conhecimento?
O Senhor conhece os pensamentos do homem, e sabe como são fúteis.
Como é feliz o homem a quem disciplinas, Senhor, aquele a quem ensinas a tua lei;
tranqüilo, enfrentará os dias maus, enquanto que, para os ímpios, uma cova se abrirá.
O Senhor não desamparará o seu povo; jamais abandonará a sua herança.
Voltará a haver justiça nos julgamentos, e todos os retos de coração a seguirão.
Quem se levantará a meu favor contra os ímpios? Quem ficará a meu lado contra os malfeitores?
Não fosse a ajuda do Senhor, eu já estaria habitando no silêncio.
Quando eu disse: "Os meus pés escorregaram", o teu amor leal, Senhor, me amparou!
Quando a ansiedade já me dominava no íntimo, o teu consolo trouxe alívio à minha alma.
Poderá um trono corrupto estar em aliança contigo?, um trono que faz injustiças em nome da lei?
Eles planejam contra a vida dos justos e condenam os inocentes à morte.
Mas o Senhor é a minha torre segura; o meu Deus é a rocha em que encontro refúgio.
Fará cair sobre eles os seus crimes, e os destruirá por causa dos seus pecados; o Senhor, o nosso Deus, os destruirá!

Ouve a minha oração, Senhor! Chegue a ti o meu grito de socorro!
Não escondas de mim o teu rosto, quando estou atribulado. Inclina para mim os teus ouvidos; quando eu clamar, responde-me depressa!
Esvaem-se os meus dias como fumaça; meus ossos queimam como brasas vivas.
Como a relva ressequida está o meu coração; esqueço até de comer!
De tanto gemer estou reduzido a pele e osso.
Sou como a coruja do deserto, como uma coruja entre as ruínas.
Não consigo dormir; tornei-me como um pássaro solitário no telhado.
Os meus inimigos zombam de mim o tempo todo; os que me insultam usam o meu nome para lançar maldições.
Cinzas são a minha comida, e com lágrimas misturo o que bebo,
por causa da tua indignação e da tua ira, pois me rejeitaste e me expulsaste para longe de ti.
Meus dias são como sombras crescentes; sou como a relva que vai murchando.
Tu, porém, Senhor, no trono reinarás para sempre; o teu nome será lembrado de geração em geração.
Tu te levantarás e terás misericórdia de Sião, pois é hora de lhe mostrares compaixão; o tempo certo é chegado.
Pois as suas pedras são amadas pelos teus servos, as suas ruínas os enchem de compaixão.
Então as nações temerão o nome do Senhor, e todos os reis da terra a sua glória.
Porque o Senhor reconstruirá Sião e se manifestará na glória que ele tem.
Responderá à oração dos desamparados; as suas súplicas não desprezará.
Escreva-se isto para as futuras gerações, e um povo que ainda será criado louvará o Senhor, proclamando:
"Do seu santuário nas alturas o Senhor olhou; dos céus observou a terra,
para ouvir os gemidos dos prisioneiros e libertar os condenados à morte".
Assim o nome do Senhor será anunciado em Sião e o seu louvor, em Jerusalém,
quando os povos e os reinos se reunirem para adorar ao Senhor.
No meio da minha vida ele me abateu com sua força; abreviou os meus dias.
Então pedi: "Ó meu Deus, não me leves no meio dos meus dias. Os teus dias duram por todas as gerações!
No princípio firmaste os fundamentos da terra, e os céus são obras das tuas mãos.
Eles perecerão, mas tu permanecerás; envelhecerão como vestimentas. Como roupas tu os trocarás e serão jogados fora.
Mas tu permaneces o mesmo, e os teus dias jamais terão fim.
Os filhos dos teus servos terão uma habitação; os seus descendentes serão estabelecidos na tua presença".

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