quarta-feira, 23 de março de 2011

Os salmos de lamentação - Imprecatórios (II) - 23/03/2011

Texto áureo: Salmo 90:12
"Ensina-nos a contar os nossos dias, de tal maneira que alcancemos corações sábios."

Leitura de hoje: Salmos 77, 79, 80, 83 e 85

Clamo a Deus por socorro; clamo a Deus que me escute.
Quando estou angustiado, busco o Senhor; de noite estendo as mãos sem cessar; a minha alma está inconsolável!
Lembro-me de ti, ó Deus, e suspiro; começo a meditar, e o meu espírito desfalece.
Não me permites fechar os olhos; tão inquieto estou que não consigo falar.
Fico a pensar nos dias que se foram, nos anos há muito passados;
de noite recordo minhas canções. O meu coração medita, e o meu espírito pergunta:
"Irá o Senhor rejeitar-nos para sempre? Jamais tornará a mostrar-nos o seu favor?
Desapareceu para sempre o seu amor? Acabou-se a sua promessa?
Esqueceu-se Deus de ser misericordioso? Em sua ira refreou sua compaixão?"
Então pensei: a razão da minha dor é que a mão direita do Altíssimo não age mais.
Recordarei os feitos do Senhor; recordarei os teus antigos milagres.
Meditarei em todas as tuas obras e considerarei todos os teus feitos.
Teus caminhos, ó Deus, são santos. Que deus é tão grande como o nosso Deus?
Tu és o Deus que realiza milagres; mostras o teu poder entre os povos.
Com o teu braço forte resgataste o teu povo, os descendentes de Jacó e de José.
As águas te viram, ó Deus, as águas te viram e se contorceram; até os abismos estremeceram.
As nuvens despejaram chuvas, ressoou nos céus o trovão; as tuas flechas reluziam em todas as direções.
No redemoinho, estrondou o teu trovão, os teus relâmpagos iluminaram o mundo; a terra tremeu e sacudiu-se.
A tua vereda passou pelo mar, o teu caminho pelas águas poderosas, e ninguém viu as tuas pegadas.
Guiaste o teu povo como a um rebanho pela mão de Moisés e de Arão.

Ó Deus, as nações invadiram a tua herança, profanaram o teu santo templo, reduziram Jerusalém a ruínas.
Deram os cadáveres dos teus servos às aves do céu por alimento, a carne dos teus fiéis, aos animais selvagens.
Derramaram o sangue deles como água ao redor de Jerusalém, e não há ninguém para sepultá-los.
Somos motivos de zombaria para os nossos vizinhos, de riso e menosprezo para os que vivem ao nosso redor.
Até quando, Senhor? Ficarás irado para sempre? Arderá o teu ciúme como o fogo?
Derrama a tua ira sobre as nações que não te reconhecem, sobre os reinos que não invocam o teu nome,
pois devoraram Jacó, deixando em ruínas a sua terra.
Não cobres de nós as maldades dos nossos antepassados; venha depressa ao nosso encontro a tua misericórdia, pois estamos totalmente desanimados!
Ajuda-nos, ó Deus, nosso Salvador, para a glória do teu nome; livra-nos e perdoa os nossos pecados, por amor do teu nome.
Por que as nações haverão de dizer: "Onde está o Deus deles?" Diante dos nossos olhos, mostra às nações a tua vingança pelo sangue dos teus servos.
Cheguem à tua presença os gemidos dos prisioneiros. Pela força do teu braço preserva os condenados à morte.
Retribui sete vezes mais aos nossos vizinhos as afrontas com que te insultaram, Senhor!
Então nós, o teu povo, as ovelhas das tuas pastagens, para sempre te louvaremos; de geração em geração cantaremos os teus louvores.

Escuta-nos, Pastor de Israel, tu, que conduzes a José como a um rebanho; tu, que tens o teu trono sobre os querubins, manifesta o teu esplendor
diante de Efraim, Benjamim e Manassés. Desperta o teu poder, e vem salvar-nos!
Restaura-nos, ó Deus! Faze resplandecer sobre nós o teu rosto, para que sejamos salvos.
Ó Senhor, Deus dos Exércitos, até quando arderá a tua ira contra as orações do teu povo?
Tu o alimentaste com pão de lágrimas e o fizeste beber copos de lágrimas.
Fizeste de nós um motivo de disputas entre as nações vizinhas, e os nossos inimigos caçoam de nós.
Restaura-nos, ó Deus dos Exércitos; faze resplandecer sobre nós o teu rosto, para que sejamos salvos.
Do Egito trouxeste uma videira; expulsaste as nações e a plantaste.
Limpaste o terreno, ela lançou raízes e encheu a terra.
Os montes foram cobertos pela sua sombra, e os mais altos cedros, pelos seus ramos.
Seus ramos se estenderam até o Mar, e os seus brotos, até o Rio.
Por que derrubaste as suas cercas, permitindo que todos os que passam apanhem as suas uvas?
Javalis da floresta a devastam e as criaturas do campo dela se alimentam.
Volta-te para nós, ó Deus dos Exércitos! Dos altos céus olha e vê! Toma conta desta videira,
da raiz que a tua mão direita plantou, do filho que para ti fizeste crescer!
Tua videira foi derrubada; como lixo, foi consumida pelo fogo. Pela tua repreensão perece o teu povo!
Repouse a tua mão sobre aquele que puseste à tua mão direita, o filho do homem que para ti fizeste crescer.
Então não nos desviaremos de ti; vivifica-nos, e invocaremos o teu nome.
Restaura-nos, ó Senhor, Deus dos Exércitos; faze resplandecer sobre nós o teu rosto, para que sejamos salvos.

Ó Deus, não te emudeças; não fiques em silêncio nem te detenhas, ó Deus.
Vê como se agitam os teus inimigos, como os teus adversários te desafiam de cabeça erguida.
Com astúcia conspiram contra o teu povo; tramam contra aqueles que são o teu tesouro.
Eles dizem: "Venham, vamos destruí-los como nação, para que o nome de Israel não seja mais lembrado!"
Com um só propósito tramam juntos; é contra ti que fazem acordo
as tendas de Edom e os ismaelitas, Moabe e os hagarenos,
Gebal, Amom e Amaleque, a Filístia, com os habitantes de Tiro.
Até a Assíria a eles se aliou, e trouxe força aos descendentes de Ló.
Trata-os como trataste Midiã, como trataste Sísera e Jabim no rio Quisom,
os quais morreram em En-Dor e se tornaram esterco para a terra.
Faze com os seus nobres o que fizeste com Orebe e Zeebe, e com todos os seus príncipes o que fizeste com Zeba e Zalmuna,
que disseram: "Vamos apossar-nos das pastagens de Deus".
Faze-os como folhas secas levadas no redemoinho, ó meu Deus, como palha ao vento.
Assim como o fogo consome a floresta e as chamas incendeiam os montes,
persegue-os com o teu vendaval e aterroriza-os com a tua tempestade.
Cobre-lhes de vergonha o rosto até que busquem o teu nome, Senhor.
Sejam eles humilhados e aterrorizados para sempre; pereçam em completa desgraça.
Saibam eles que tu, cujo nome é Senhor, somente tu, és o Altíssimo sobre toda a terra.

Foste favorável à tua terra, ó Senhor; trouxeste restauração a Jacó.
Perdoaste a culpa do teu povo e cobriste todos os seus pecados.
Retiraste todo o teu furor e te afastaste da tua ira tremenda.
Restaura-nos mais uma vez, ó Deus, nosso Salvador, e desfaze o teu furor para conosco.
Ficarás indignado conosco para sempre? Prolongarás a tua ira por todas as gerações?
Acaso não nos renovarás a vida, a fim de que o teu povo se alegre em ti?
Mostra-nos o teu amor, ó Senhor, e concede-nos a tua salvação!
Eu ouvirei o que Deus, o Senhor, disse: Ele promete paz ao seu povo, aos seus fiéis! Não voltem eles à insensatez!
Perto está a salvação que ele trará aos que o temem, e a sua glória habitará em nossa terra.
O amor e a fidelidade se encontrarão; a justiça e a paz se beijarão.
A fidelidade brotará da terra, e a justiça descerá dos céus.
O Senhor nos trará bênçãos, e a nossa terra dará a sua colheita.
A justiça irá adiante dele e preparará o caminho para os seus passos.

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