Texto áureo: Salmo 90:12
"Ensina-nos a contar os nossos dias, de tal maneira que alcancemos corações sábios."
Leitura de hoje: Salmos 69-71; 73-74
Salva-me, ó Deus!, pois as águas subiram até o meu pescoço.
Nas profundezas lamacentas eu me afundo, não tenho onde firmar os pés. Entrei em águas profundas; as correntezas me arrastam.
Cansei-me de pedir socorro; minha garganta se abrasa. Meus olhos fraquejam de tanto esperar pelo meu Deus.
Os que sem razão me odeiam são mais do que os fios de cabelo da minha cabeça; muitos são os que me prejudicam sem motivo, muitos, os que procuram destruir-me. Sou forçado a devolver o que não roubei.
Tu bem sabes como fui insensato, ó Deus; a minha culpa não te é encoberta.
Não se decepcionem por minha causa aqueles que esperam em ti, ó Senhor, Senhor dos Exércitos! Não se frustrem por minha causa os que te buscam, ó Deus de Israel!
Pois por amor a ti suporto zombaria, e a vergonha cobre-me o rosto.
Sou um estrangeiro para os meus irmãos, um estranho até para os filhos da minha mãe;
pois o zelo pela tua casa me consome, e os insultos daqueles que te insultam caem sobre mim.
Até quando choro e jejuo, tenho que suportar zombaria;
quando ponho vestes de lamento, sou motivo de piada.
Os que se ajuntam na praça falam de mim, e sou a canção dos bêbados.
Mas eu, Senhor, no tempo oportuno, elevo a ti minha oração; responde-me, por teu grande amor, ó Deus, com a tua salvação infalível!
Tira-me do atoleiro, não me deixes afundar; liberta-me dos que me odeiam e das águas profundas.
Não permitas que as correntezas me arrastem, nem que as profundezas me engulam, nem que a cova feche sobre mim a sua boca!
Responde-me, Senhor, pela bondade do teu amor; por tua grande misericórdia, volta-te para mim.
Não escondas do teu servo a tua face; responde-me depressa, pois estou em perigo.
Aproxima-te e resgata-me; livra-me por causa dos meus inimigos.
Tu bem sabes como sofro zombaria, humilhação e vergonha; conheces todos os meus adversários.
A zombaria partiu-me o coração; estou em desespero! Supliquei por socorro, nada recebi, por consoladores, e a ninguém encontrei.
Puseram fel na minha comida e para matar-me a sede deram-me vinagre.
Que a mesa deles se lhes transforme em laço; torne-se retribuição e armadilha.
Escureçam-se os seus olhos para que não consigam ver; faze-lhes tremer o corpo sem parar.
Despeja sobre eles a tua ira; que o teu furor ardente os alcance.
Fique deserto o lugar deles; não haja ninguém que habite nas suas tendas.
Pois perseguem aqueles que tu feres e comentam a dor daqueles a quem castigas.
Acrescenta-lhes pecado sobre pecado; não os deixes alcançar a tua justiça.
Sejam eles tirados do livro da vida e não sejam incluídos no rol dos justos.
Grande é a minha aflição e a minha dor! Proteja-me, ó Deus, a tua salvação!
Louvarei o nome de Deus com cânticos e proclamarei sua grandeza com ações de graças;
isso agradará o Senhor mais do que bois, mais do que touros com seus chifres e cascos.
Os necessitados o verão e se alegrarão; a vocês que buscam a Deus, vida ao seu coração!
O Senhor ouve o pobre e não despreza o seu povo aprisionado.
Louvem-no os céus e a terra, os mares e tudo o que neles se move,
pois Deus salvará Sião e reconstruirá as cidades de Judá. Então o povo ali viverá e tomará posse da terra;
a descendência dos seus servos a herdará, e nela habitarão os que amam o seu nome.
Livra-me, ó Deus! Apressa-te, Senhor, a ajudar-me!
Sejam humilhados e frustrados os que procuram tirar-me a vida; retrocedam desprezados os que desejam a minha ruína.
Retrocedam em desgraça os que zombam de mim.
Mas regozijem-se e alegrem-se em ti todos os que te buscam; digam sempre os que amam a tua salvação: "Como Deus é grande!"
Quanto a mim, sou pobre e necessitado; apressa-te, ó Deus. Tu és o meu socorro e o meu libertador; Senhor, não te demores!
Em ti, Senhor, busquei refúgio; nunca permitas que eu seja humilhado.
Resgata-me e livra-me por tua justiça; inclina o teu ouvido para mim e salva-me.
Peço-te que sejas a minha rocha de refúgio, para onde eu sempre possa ir; dá ordem para que me libertem, pois és a minha rocha e a minha fortaleza.
Livra-me, ó meu Deus, das mãos dos ímpios, das garras dos perversos e cruéis.
Pois tu és a minha esperança, ó Soberano Senhor, em ti está a minha confiança desde a juventude.
Desde o ventre materno dependo de ti; tu me sustentaste desde as entranhas de minha mãe. Eu sempre te louvarei!
Tornei-me um exemplo para muitos, porque tu és o meu refúgio seguro.
Do teu louvor transborda a minha boca, que o tempo todo proclama o teu esplendor.
Não me rejeites na minha velhice; não me abandones quando se vão as minhas forças.
Pois os meus inimigos me caluniam; os que estão à espreita juntam-se e planejam matar-me.
"Deus o abandonou", dizem eles; "persigam-no e prendam-no, pois ninguém o livrará".
Não fiques longe de mim, ó Deus; ó meu Deus, apressa-te em ajudar-me.
Pereçam humilhados os meus acusadores; sejam cobertos de zombaria e vergonha os que querem prejudicar-me.
Mas eu sempre terei esperança e te louvarei cada vez mais.
A minha boca falará sem cessar da tua justiça e dos teus incontáveis atos de salvação.
Falarei dos teus feitos poderosos, ó Soberano Senhor; proclamarei a tua justiça, unicamente a tua justiça.
Desde a minha juventude, ó Deus, tens me ensinado, e até hoje eu anuncio as tuas maravilhas.
Agora que estou velho, de cabelos brancos, não me abandones, ó Deus, para que eu possa falar da tua força aos nossos filhos, e do teu poder às futuras gerações.
Tua justiça chega até as alturas, ó Deus, tu, que tens feito coisas grandiosas. Quem se compara a ti, ó Deus?
Tu, que me fizeste passar muitas e duras tribulações, restaurarás a minha vida, e das profundezas da terra de novo me farás subir.
Tu me farás mais honrado e mais uma vez me consolarás.
E eu te louvarei com a lira por tua fidelidade, ó meu Deus; cantarei louvores a ti com a harpa, ó Santo de Israel.
Os meus lábios gritarão de alegria quando eu cantar louvores a ti, pois tu me redimiste.
Também a minha língua sempre falará dos teus atos de justiça, pois os que queriam prejudicar-me foram humilhados e ficaram frustrados.
Certamente Deus é bom para Israel, para os puros de coração.
Quanto a mim, os meus pés quase tropeçaram; por pouco não escorreguei.
Pois tive inveja dos arrogantes quando vi a prosperidade desses ímpios.
Eles não passam por sofrimento e têm o corpo saudável e forte.
Estão livres dos fardos de todos; não são atingidos por doenças como os outros homens.
Por isso o orgulho lhes serve de colar, e se vestem de violência.
Do seu íntimo brota a maldade; da sua mente transbordam maquinações.
Eles zombam e falam com más intenções; em sua arrogância ameaçam com opressão.
Com a boca arrogam a si os céus, e com a língua se apossam da terra.
Por isso o seu povo se volta para eles e bebem suas palavras até saciar-se.
Eles dizem: "Como saberá Deus? Terá conhecimento o Altíssimo?"
Assim são os ímpios; sempre despreocupados, aumentam suas riquezas.
Certamente foi-me inútil manter puro o coração e lavar as mãos na inocência,
pois o dia inteiro sou afligido, e todas as manhãs sou castigado.
Se eu tivesse dito "falarei com eles", teria traído os teus filhos.
Quando tentei entender tudo isso, achei muito difícil para mim,
até que entrei no santuário de Deus, e então compreendi o destino dos ímpios.
Certamente os pões em terreno escorregadio e os fazes cair na ruína.
Como são destruídos de repente, completamente tomados de pavor!
São como um sonho que se vai quando a gente acorda; quando te levantares, Senhor, tu os farás desaparecer.
Quando o meu coração estava amargurado e no íntimo eu sentia inveja,
agi como insensato e ignorante; minha atitude para contigo era a de um animal irracional.
Contudo, sempre estou contigo; tomas a minha mão direita e me susténs.
Tu me diriges com o teu conselho, e depois me receberás com honras.
A quem tenho nos céus senão a ti? E na terra, nada mais desejo além de estar junto a ti.
O meu corpo e o meu coração poderão fraquejar, mas Deus é a força do meu coração e a minha herança para sempre.
Os que te abandonam sem dúvida perecerão; tu destróis todos os infiéis.
Mas, para mim, bom é estar perto de Deus; fiz do Soberano Senhor o meu refúgio; proclamarei todos os teus feitos.
Por que nos rejeitaste definitivamente, ó Deus? Por que se acende a tua ira contra as ovelhas da tua pastagem?
Lembra-te do povo que adquiriste em tempos passados, da tribo da tua herança, que resgataste, do monte Sião, onde habitaste.
Volta os teus passos para aquelas ruínas irreparáveis, para toda a destruição que o inimigo causou em teu santuário.
Teus adversários gritaram triunfantes bem no local onde te encontravas conosco, e hastearam suas bandeiras em sinal de vitória.
Pareciam homens armados com machados invadindo um bosque cerrado.
Com seus machados e machadinhas esmigalharam todos os revestimentos de madeira esculpida.
Atearam fogo ao teu santuário; profanaram o lugar da habitação do teu nome.
Disseram no coração: "Vamos acabar com eles!" Queimaram todos os santuários do país.
Já não vemos sinais miraculosos; não há mais profetas, e nenhum de nós sabe até quando isso continuará.
Até quando o adversário irá zombar, ó Deus? Será que o inimigo blasfemará o teu nome para sempre?
Por que reténs a tua mão, a tua mão direita? Não fiques de braços cruzados! Destrói-os!
Mas tu, ó Deus, és o meu rei desde a antigüidade; trazes salvação sobre a terra.
Tu dividiste o mar pelo teu poder; quebraste as cabeças das serpentes das águas.
Esmagaste as cabeças do Leviatã e o deste por comida às criaturas do deserto.
Tu abriste fontes e regatos; secaste rios perenes.
O dia é teu, e tua também é a noite; estabeleceste o sol e a lua.
Determinaste todas as fronteiras da terra; fizeste o verão e o inverno.
Lembra-te de como o inimigo tem zombado de ti, ó Senhor, como os insensatos têm blasfemado o teu nome.
Não entregues a vida da tua pomba aos animais selvagens; não te esqueças para sempre da vida do teu povo indefeso.
Dá atenção à tua aliança, porque de antros de violência se enchem os lugares sombrios do país.
Não deixes que o oprimido se retire humilhado! Faze que o pobre e o necessitado louvem o teu nome.
Levanta-te, ó Deus, e defende a tua causa; lembra-te de como os insensatos zombam de ti sem cessar.
Não ignores a gritaria dos teus adversários, o crescente tumulto dos teus inimigos.
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